Como foi a remoção dos manifestantes anti-Dilma acampados em Brasília


Como foi a remoção dos manifestantes anti-Dilma acampados em Brasília ANDRESSA ANHOLETE/AFP


Se nos ambientes climatizados do Congresso o afastamento de Dilma Rousseff murchou, no gramado do lado de fora a ideia resistiu por um mês em um acampamento de grupos que comungam do antipetismo, mas divergem dos meios para derrubar a presidente. Pregam da renúncia à intervenção militar, passando pelo impeachment.
O camping improvisado acabou no sábado. Os manifestantes foram retirados pelas polícias Militar e Legislativa do Distrito Federal (DF). Nas barracas, eles resistiram à remoção sem violência contra os policiais, entoando o Hino e palavras de ordem. Por divergências entre alas de manifestantes, houve casos de discussão e briga entre eles. A polícia interveio e usou gás para dispersar a confusão. Ninguém ficou ferido.
A remoção foi decidida pela cúpula do Congresso e pelo governo do DF, que levaram em conta as confusões da semana passada. Na quarta, acampados e participantes da Marcha das Mulheres Negras entraram em atrito. Houve tiros para o alto, e dois policiais pró­-intervenção militar foram detidos.
Acampados desde outubro, os manifestantes formaram um microcosmo que reproduziu discussões e pensamentos disseminados nas redes sociais. Zero Hora esteve no local durante a semana passada. As barracas tinham ocupantes de Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua, Revoltados On Line, entre outros. Havia também a turma dos intervencionistas, que prega o uso das Forças Armadas para depor Dilma.
— Vivemos uma ditadura disfarçada de democracia — dizia a cabeleireira Charlo Ferreson, 42 anos.
Para a turma de Charlo, a corrupção tem de ser varrida do país, o comunismo deve ser combatido, o deputado Jair Bolsonaro (PP­RJ) é herói e o boneco Pixuleco, do ex-presidente Lula, é peça de decoração. Antes saudado, Cunha virou desafeto e alvo de críticas por refluir no impeachment e se enrolar com suspeitas de desvios.
Os manifestantes garantiam ser financiados por doações. Nas barracas, o cardápio era comunitário. Foram instalados banheiros químicos, mas a preferência era pela estrutura da Câmara ou de ministérios. Outra opção era tomar banho ou pernoitar em residências de quem mora em Brasília.
— As pessoas se revezam. Todos precisam trabalhar. As barracas ficam prontas para receber novos ocupantes — explicou a administradora Roberta Born, 34 anos.
O gramado tinha divisão territorial. Próximo ao espelho d'água do Congresso, ficou o MBL, vizinho do Vem Pra Rua. Perto dos Revoltados On Line, apareceu um vizinho "infiltrado". De quarta para quinta-­feira, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) ganhou seu espaço. Sindicalistas jogaram carta, prepararam carne e espalharam faixas de defesa da democracia.
— Queria ver se a ditadura deixaria acampamento pedindo para tirar o general (João) Figueiredo — dizia Paulo Cayres, da confederação dos metalúrgicos.
Na área dos intervencionistas, o regime militar era lembrado com saudosismo. Foram os que demonstraram maior resistência em deixar o acampamento.
— Agiremos dentro da lei e da ordem, mas não vamos parar a luta contra o crime político organizado que tomou conta do país — disse Daniel Barbosa, 43 anos.
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